A Árvore da Vida

Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; E não quereis vir a mim para terdes vida.  João 5.39-40

Gênesis 3. 1-8
ORA, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim.

Anti-parafraseando (se pode-se assim dizer) o que alguém disse, o homem tinha a vida que não pediu a Deus. Tinha tudo e mais alguma coisa sem ter pedido sequer uma qualquer, nem mesmo a mulher. Deus o fez segundo a Sua imagem e semelhança e por isso sabia de suas necessidades e seus gostos, por isso fez tudo para este desfrutasse do melhor. Ora, sendo o homem parecido com Deus foi dotado também de vontade própria, e é isso que o distingue dos demais animais. Com o propósito de testar essa vontade Ele coloca diante do homem duas árvores, e sobre uma destas diz claramente, dela não comerás, quanto a outra nada fala, a não ser que é a Árvore da Vida. Instigado pela serpente, que aguçou-lhe a vontade este toma da árvore da ciência do bem e do mal, mas porque não tomou da Árvore da Vida?
Tudo o que precisava estava à mão, só precisava cegar a terra, não precisava nem pedir por chuva, ou por outra coisa qualquer, sentia que já tinha a vida plena, que vida mais precisava, pensar no futuro? Para quê? O que mais queria era viver o presente, "curtir a vida" como se diz hoje. Dentro deste curtir a vida estava a vontade de saber mais das coisas, viver mais intensamente, e, quando se vê diante desta possibilidade, não hesita em experimentar, acha que a sabedoria esta em si mesmo e portanto "vai fundo". Imediatamente percebe que não pode mais desfrutar da glória de Deus, de Sua presença, e esconde-se, foge, vê-se num profundo vazio, uma falta de algo em si mesmo, e toda aquela idéia de sabedoria se esvai. Ainda que castigado sumariamente pelo seu ato, percebe-se que Deus, por amor à sua criatura, ainda usa de misericórdia e não acaba ali mesmo com tudo. Antes de mais, vai ao encontro do homem, veste-o, dá-lhe cobertura, quer pela vergonha quer pelo cuidado, pois dali por diante as coisas seriam difíceis, nada seria com dantes. Outra preocupação é evitar que este tomasse do fruto da Árvore da Vida e vivesse eternamente no pecado, assim lança-o para fora do Jardim e o homem, então, deixa de viver e passa a sobreviver.
A Arvore da Vida é Jesus Cristo, a vida eterna. O Jardim do Édem é a Palavra de Deus, a Bíblia, nela está a Árvore de Vida Eterna, se se voltasse para Ela o ser humano teria tudo o que precisa para viver. Eu penso que se todos os livros do mundo fossem eliminados, desaparecessem, e só a Bíblia permanecesse, seria o suficiente e o bastante para vivermos, Nela encontramos solução para todas as coisas, auto-ajuda, história, psicologia, filosofia, estratégias de guerra, romance, aventura e tudo o mais que outros livros tenham ou venham a ter. Um dia, numa entrevista para um jornal evangélico, dentre outras perguntas como a comida que mais gosto, etc, qual o meu livro de cabeceira, a qual respondi prontamente - A Bíblia - percebi que o interlocutor ficou um tanto despontado, talvez esperasse que eu lhe respondesse sobre um bestseller qualquer, então e eu disse-lhe - Que mais preciso?
O homem continua achando que vive, que os prazeres do mundo é que são vida, e, mesmo os crentes, os que se voltam para Deus, continuam pensando que a vida abundante pode e deve ser vivida aqui, e buscam a Deus para se deleitarem nos prazeres terrenos, pedindo bens materiais. Desde aquele fatídico dia, no Édem, Deus chora pelo homem, quer alcançá-lo, quer lhe dar vida plena, quer relacionar-se com ele, e oferece meios, cria situações, contorna a fraquesa humana para que este se chegue a Ele. Num último esforço vem até o ser humano, torna-se um destes, vive como tal, apregoua a salvação e torna-se a própria, morrendo por este, pois é única maneira de apagar o pecado, essa era a regra, certamente morrerás. Só a morte retira o pecado do homem, uma vez morto não precisa mais pagar contas, não precisa mais trabalhar e, é claro, não mais pode pecar.
É preciso voltar-se para Deus, aceitar a morte de Jesus Cristo e Sua ressurreição. Não vamos nos livrar da morte física, conseqüência do pecado e prova de que todo homem é pecador, mas vamos poder  apresentar-mo-nos diante Dele sem vergonha, vestidos em trajes santos, ou seja, revestidos da verdade que é Jesus Cristo. 

O Fruto do Espírito

Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei.  Gálatas 5. 22-23


Lucas 12. 16-21
Propôs-lhes então uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produzira com abundância; e ele arrazoava consigo, dizendo: Que farei? Pois não tenho onde recolher os meus frutos. Disse então: Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens; e direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te. Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.


Quando pegamos numa fruta, da qual gostamos, e vemo-la madura, suculenta, viçosa, queremos logo prová-la, sentir seu sabor enchendo nosso paladar. Um fruto do qual gostamos, aguça todos os nossos sentidos, principalmente se ele está na árvore de sua origem. A visão é o primeiro dos sentidos, ao vermos o fruto maduro logo nos aguça outro que é o olfato, depois queremos tocá-lo, sentir em nossa mão, e ai então prová-lo. A casca madura, o odor agradável, a textura suave, o sabor suculento nos faz satisfeitos.
O apóstolo Paulo nos fala para olharmos para Jesus o autor e consumador da fé, e uma pergunta se nos ressalta, como?, onde ver Jesus? A resposta é em nós mesmos. Temos de refletir Jesus em nossa vida. As pessoas têm de olhar para nós e ver Cristo refletido. Só o Fruto do Espírito na nossa vida é capaz de refletir Jesus Cristo. As pessoas ao nosso redor precisam desejar provar deste Jesus em suas vidas. Quando olharem para nós e virem o Fruto do Espírito em nós então quererão prover de Jesus. O Fruto do Espírito tem as qualidades de um fruto saboroso que se vai querer provar, vejamos: O Amor, a Paz, a Alegria, a Paciência, a Bondade, a Misericórdia, a Fidelidade, a Mansidão e o Domínio Próprio. 
O Amor, a Paz e a Alegria, fazem parte da semente desse fruto, são estas coisas que vão fazê-lo renascer a cada dia.  É gratificante quando observamos uma pessoa que transmite alegria, que exprime amor e que inspira paz, tranquilidade. Dá gosto nos relacionarmos com estas pessoas, contagia-nos, de forma que também em nós passem a existir estas coisas. É nestas coisas que renascemos a cada dia, que nos faz acordar e querer viver e transmitir aos outros.
A Paciência, a Bondade e a Misericórdia fazem parte da polpa do fruto, são nestas coisas que somos experimentados pelas pessoas, é nisso que vamos ser provados pelos outros. No nosso trabalho, escola, relacionamentos, enfim, no cotidiano de nossas vidas defrontamos com pessoas de todo o tipo e com todos os tipos de personalidade e também com todo tipo de problemas, é nesta hora que somos provados, experimentados, são em momentos adversos que temos a chance de sermos saboreados pelos que estão ao nosso redor. Ter paciência com as pessoas, usar de bondade e misericórdia, mesmo para com aqueles que nos causam algum desconforto é algo que Jesus espera de nós.  Gosto muito de uma ilustração que nos compara a saquetas de chá. Quando alguma coisa nos faz ferver qual é o sabor que exprimimos? Doce? Azedo? Amargo? 
A Fidelidade, a Mansidão e o Domínio Próprio são a casca do fruto, é onde os outros nos veem, onde nos observam e avaliam se vale a pena experimentar-nos. As pessoas que estão ao nosso redor esperam de nós que sejamos fiéis no trato com elas. Esperam que tenhamos uma palavra amiga e que quando estejam exaltadas que nós acalmemos a situação com palavras de ânimo de paz. Esperam que em momentos adversos tenhamos controle sobre nós mesmos e da situação.  Desejarão estar junto de nós se virem em nós confiança e confiarão de acordo com aquilo que observarem e na forma como nos relacionamos com Deus , com os outros e conosco.
O Fruto do Espírito é algo que se consegue ser se tivermos Jesus Cristo vivo em nossos corações, observando Sua Palavra, colocando em prática aquilo que Ele ensina.

Ouvir Deus

"Sede cumpridores da Palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos"
Tiago 1.22


Mateus 7:24-29
Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e grande foi a sua queda. Ao concluir Jesus este discurso, as multidões se maravilhavam da sua doutrina; porque as ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.

OUVIR: verbo trans/intrans: escutar; ter atenção; perceber.


Estamos sempre ouvindo alguém ou algum som, mesmo enquanto dormimos. Os sons nos chegam em todo o instante aos ouvidos e penetram nossa mente, despertando-nos para alguma reação. É certo que não podemos reter ou perceber tudo o que ouvimos, mas a cada segundo que passa algo nos chama a atenção. Os sons podem nos alertar, fazer-nos relaxar ou dormir, acalmar-nos ou irritar-nos, agirmos ou ficarmos atônitos. enfim vão provocar em nós alguma reação. Podemos ouvir algo e atentarmos para tal, ou apenas ignorar.
Jesus estava dando instruções preciosas aos seus discípulos, que o ouviam atentamente naquele discurso, o qual chamamos o Sermão do Monte, e, ao concluir suas palavras, Ele chama a atenção para o detalhe mais importante de todo o seu ensino, quer neste sermão, quer nos demais: Ouvir as palavras e praticar o que se ouviu. É muito comum nós ouvirmos instruções e não atentarmo-nos para elas, e um dos fatores é que não temos no interlocutor alguém que realmente acreditamos ou respeitamos. Para ouvirmos e praticarmos algo que nos é instruído a fazer, precisamos, antes de tudo, reconhecer a autoridade daquele que ensina. Damos ouvido ao que nos dizem nossos pais enquanto reconhecemos neles a autoridade sobre nós. O que quase sempre acontece é que a determinada altura de nossas vidas (na juventude é mais comum) deixamos de reconhecer tal autoridade e então passamos a fazer as coisas de acordo com nossa vontade, e quase sempre nos damos mal. Noutra ocasião Jesus conta uma história para ilustrar o que é dar ouvidos é o que não o é (Mateus 21:28-32). Um pai dá ordem a dois filhos para que realizem uma tarefa, os dois ouvem o pai, e um deles responde: Sim vou fazer, e vai-se e não faz, o outro retruca e diz que não faz e indo realiza a tarefa, então Jesus pergunta: qual deles fez a vontade do pai? A parte anterior ao texto que lemos fala de pessoas que disseram: Senhor em teu nome fizemos...Ele fala de pessoas que disseram que fariam a vontade de Deus mas não fizeram, que cumpririam Seu propósito mas não cumpriram, ou seja, dizem que fazem mas nada fazem. Reconhecer a autoridade não é chamar alguém de Senhor ou outro título qualquer, é cumprir aquilo o que foi determinado que se fizesse. Ao cumprir os ensinos de Jesus constroe-se a vida sobre base sólida, uma vida estruturada quer para este mundo quer para o vindouro.
O sermão do monte não era somente para aquele tempo, é para o tempo presente, é para ser cumprido hoje por todo aquele que reconhece a autoridade de Jesus como um rei que vive e reina em sua vida. Não basta portarmo-nos como subservientes e gritarmos Senhor! Senhor! É preciso praticar os ensinos, viver a vida que Ele deseja que vivamos para assim sermos cumpridores e não somente ouvintes.

Santificação

" Fala a toda congregação dos filhos de Israel, e dize-lhes: Santos sereis porque eu , o Senhor vosso Deus sou santo." Lev. 19.2


João 17:10-21
Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade. E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.


Santo adj; Essencialmente puro, perfeito em tudo; Que vive na Lei de Deus; Bem-aventurado, sagrado.

Esta é uma porção da oração que Jesus dirige ao Pai pouco antes da consumação de Seu propósito na vida terrena, a morte pelos nossos pecados. Nesse trecho o que Ele pede a Deus e o que espera daqueles que chamou para Si é que sejam santificados. A palavra Santo significa separado, destacado, à parte de, e é isso que Deus espera que sejamos. Mas como? Está claro, na afirmação de Jesus, que a santificação é algo que se obtém na Bíblia, a Palavra de Deus, viva e eficaz, mais penetrante que espada alguma de dois gumes, como nos diz Hebreus 4:12, explica-nos em detalhes os passos para alcançarmos este desejo de nosso amado Jesus. A salvação alcança-se pelo Evangelho, a aceitação incondicional das Boas Novas de Jesus Cristo, e Seu sangue derramado para remissão dos pecados, dos quais tem de haver arrependimento. No entanto, é preciso avançar na vida cristã buscando conhecimento de Deus para contemplá-lo na Sua plenitude. Este conhecimento se faz com o estudo da Bíblia, onde está delineada a biografia de Deus, é por ela e somente por ela que se conhece a Ele. Ao conhecê-lo descobre-se, entre outras coisas, que Ele é Santo, e que só se pode chegar a Ele os que assim se fizerem, santos. Como já falamos, santo é aquele que é separado, à parte das outras coisas, e que coisas? As coisas do mundo, as coisas da carne. Só um ser espiritual separar-se-á das coisas terrenas, mesmo que esteja vivendo na terra, e, como já vimos antes, só os seres espirituais podem adorar a Deus, só os santos, os separados do mundo, verão a Ele, Hebreus 12:14. A santificação é um processo, um passo-a-passo em direção ao Pai, como degraus a subir para se chegar a Ele.
As cartas do apóstolo Pedro são, sem dúvida, o resumo mais claro e simplificado de como proceder para avançar nos degraus da santificação. Na sua 1ª carta capítulo 2: 1-10, o apóstolo Pedro resume em palavras poéticas e profundas esta necessidade da vida do crente. Muito tenho sido tocado pelo Espírito Santo sobre a adoração a Deus, sobre como adorá-lo, sobre a forma correta de o fazer, e, uma das exigências primeiras que percebi da parte de Deus é que para se poder adorá-lo é preciso ser santo, separado. Deus, quando criou o homem, e a mulher, os criou para adorá-lo, e adorar é cultuar, e para tal fez uma exigência fundamental: Separar-se da árvore da ciência do bem e do mal, fato que não se consumou, o homem se apossou desta e ficou sim separado de Deus. A situação pura e simples é esta: ou estamos separados do mundo, e santos para Deus; ou estamos separados de Deus. Afim de voltar a ter o homem coroa da criação em adoração suprema, Ele dá uma nova chance ao homem de aproximar-se dEle, de adorá-Lo, de cultuá-Lo , e, esta chance passa primeiro pelo arrependimento é claro e depois pela santificação, que segundo Hebreus 12.14 como já vimos, sem a qual ninguém verá a Deus.
Então, se queremos mesmo ver nosso Deus e Jesus Cristo ao seu lado, temos de nos santificar e este processo começa com: deixar de lado a malícia, o engano e as outras coisas que o mundo oferece(1 Pedro 2:1); Nascer de novo, alimentar-se da palavra para crescer (1 Pedro 2:2); Tonarmo-nos referência, exemplos ao mundo para poder ser aceito, em adoração, por Deus (1 Pedro 2:3); Precisamos anunciar as boas novas, Jesus Cristo, a pedra fundamental ao mundo, porque estávamos nas trevas e alcançamos misericórdia, e agora podemos ser chamados povo de Deus, povo adquirido ( 1 Pedro 2:6- 10).